Nativo


Esses tambores que não me deixam ir...
Eu vou de pé na terra até a aurora romper sua manhã,
Minha raiz está nela, nem que morra meu corpo
Eu fico de pé de flor de raiz de baque que nunca pára.
Caí do céu e da terra, a estrela cadente brilhante
Na minha coroa. A mirar com as asas abertas
Meu arco lança a flecha onde a luz me orienta dançar.
No meu peito descalço bate o colar, a semente
O fio cortante do coração na minha mão, o maracá.
Planto um sorriso de esperança com o canto de paz
Grito de guerra sem temer a sorte sou guerreiro da mata.
O poder no som da madeira quando pega fogo
Me entrego com força da gravidade na fogueira a rodar.
Minhs honra é a presença ancestral do universo inteiro
Pintado na minha pele reflete o dom de toda natureza
Desenho cósmico na nudez da minha alma espelho
Cristalino água aceito a vida recebendo sua dádiva
Da simplicidade e da harmonia faço minha casa. 

OROBORUS


Minhas mãos tão vazias

que carrego minha presença leve.
O fardo de não me esquecer,
sinto todo sem anestesia.

E ainda me resta alguma ausência
que preenche meu ser transitório
a estar sendo roupa de mim alma.

Como poderia falar da eternidade
quando diante de um vulgo amor
sinto um tremor que vem do nada?

Como que na espera de explodir,
fico tranquilo a confiar nos passos.

Aprendi com a vida a brincar e a ser serio,
que cada coisa tem sua importância
e nenhuma, e que há o que não é coisa.

Por mais que nos consideremos livres
e do Absoluto sejamos relativos,
no mundo da normalidade dos falsos
o verdade se parece com loucura.

Caminho de cor minha saga,
o seu azul me consola,
sua fortaleza sem paredes
assim a brincar de nuvem
e tecer acrobacias líquidas,
flor que abraça mundos,
olho que devora vozes,
entrar e sair de ti é o dilema,
o paradoxo do amor e da dor.

- Ó, Caos que me ordena,

quanta morte me trará vida
até que a alquimia nos traga paz?

- Ainda que a alma não seja pequena,
a jornada não estará concluída
enquanto houver um motivo a mais.

Sua beleza me desconcerta em um desenho das cores do Sol


pele pelos olhos negros sua brancura, preta
sorriso que dança e enxuga
noite fogueira... gira em torno, amor,
que não é assim tão direto e porisso é
 
a reta curva que faz da música néctar...
suas pétalas que se abrem e fecham
no ciclo da harmonia do jardim
mais que diverso, sua nota é deslumbre
 
intangível pureza em que a verdade
te inunda e me afoga, fortaleza desnuda
de mistérios e encantos das suas linhas
 
de veludo, aguda maravilha que verte
estrelas e exala poesia, corpo arco
cuja flecha face coração cupido