Me vi mulher de vermelho
Carregando a passagem dos sonhos,
Quando em curvas, o olhar azul
Perfurou, direto ao meu peito.
Os corpos que caem do céu
Se contorcem na terra.
Ou simplesmente fluem pelos cabelos
Pescoço costas ombros braços mãos
cóccix ventre virilha bunda
Coxas joelhos batatas pés... dedos.
Os traços mais finos contendo
a perfeição do volume que inunda a vida,
lugar de vidas, como uma bola cheia
e cheia de espaco dentro, quanto fora,
que está respirando...
A beleza que um decote esconde
é o que revela e só por uma camada de pele,
O som do raio num trovão,
Grito de prazer lançado ao mar de poesia.
A estrela geme sua existencia
Intervalo difuso até desfazer—se, poeira...
Os olhos não vêem a grandeza
Nem a mais próxima iris...
cortam as distancias para voltarem a si.
Os passos são como dias circunscritos
Ao horizonte, batem as asas sem amanhã.
Amadurece a fruta que veio da flor,
A semente é testemunha,
O coração não tem contorno,
Se espalha em afetos,
explode feito criança...
Dá pra sentir o balanço!
é violeta !
