ao mar ia claro


abranda, coração
o mundo acaba
e estás aqui, assim...


no fio distante
para onde vai
não se perde
em vã nudez...

guarda o bolso
no deserto
e nos limites
a direção...


que está vivo
no que há

sentido instante
a fonte do prazer
...

de perena abundancia
o orbitante farol
te observa saudoso...










Nadar

e caminhar pra poder voar

extático


às vezes, no que estou

dá vontade de derreter

lama, vapor

cheiro de meu travesseiro

toque bom das flores

espera a seta o alvo

cantar caminhar

ser o herói que quiser

livre o prisioneiro

em tudo, um

Auto-Preleção


preciso saturar da falta de vergonha

e querer voltar pro jardim dos sonhos

acordar nú conseguindo ver a forma

da luz sem sombra ser o cavalheiro

que nasceu com o propósito do amor

na bem-aventurança sem dispersão

controlar os demônios do insaciável

ao praticar sem precisar de retorno

pela fé inabalável de conduta firme

o bom exemplo daquilo que predico

A Colheita


escolha a realidade
que queres, crua ou cozida?
e por quem?!

espera o ônibus e relâmpagos,
muito caroço pra pouca polpa
entre aqui e lá, o ali...

salve a alvorada e o pôr!
pelo ciclo cujo fim é a fonte
e tudo do nada é expansão!

revolta devindo, chove e faz Sol ,
exageradamente, o que cativamos,
a responsabilidade, seguir adiante,

qual vai? lagarta, casulo, borboleta ...

Tulco


Ouvir sobre e se aproximar um pouco
estar dentro e tão perto, longe...
Não atende nem liga... se foi,
está indo cada vez mais... nós...

Não só janelas... se afasta, solidão...
o abismo que se abre na terra
cai do céu na revolta dos anjos...
É homem em trevas delirantes
o ser de suas ansiedades
a se perder do que mais ama...

Só resta a poesia para lembrar
o que se sente e não se sabe...
As palavras saem não como palavras,
algo diferente que existe por si só...
A mentira ao se encontrar verdade
com as certezas que não são para contar...
Essa forma de intensão essência:
a dor de conseguir curar...

VOTE EM MIM


A terra treme, sobe a água,
o fogo pega, falta o ar...

Fechamos os olhos, tampamos os ouvidos...
Anota as estatísticas,
procura a prevenção do veneno
que não queremos deixar de tomar...
Nada remedia, não há depois,
alheios... nem o agora...
A única coisa eterna que inventamos
é o isopor que ainda descartamos
estúpidamente...

Vamos tirar o óleo preto
de baixo do fundo do mar para queimar!!!
Vamos acabar com as florestas
e transformar num grande deserto !!!
Vamos plantar para alimentar os animais
e assim muito os comermos !!!
Vamos jogar nossos excrementos nos rios
para levá-los a qualquer outro lugar !!!

Vamos logo acabar com o mundo !!!