Meu Vigésimo Solstício de Inverno


nada me domina
só o nada
agora
só o agora

e apenas versos quero
e
os quero tanto
quanto me perco
em tomar-me em solidão

não os tenho
embora deitemos
juntos insones
só a passar
tempo

intento
anseio

por carencia
leio
estrelas
que não traduzo
mas acredito serem
expressões de Deus
que é de onde vim

do nada de mim
que talvez só Ele saiba
me fazendo igual
ao som da noite
grande iluminada

risco e chance

cheguei ao ponto
que não lembro
onde estava
para onde irei
e tudo, tudo vai

quase 21
é solstício presente
e meu inferno astral
exalando no leito
de minhas dúvidas
ter um propósito


ao pensar talvez não ser imortal

(e agir como se eu não fosse)

pois também é inverno
chegando

embora adiante o dia aumente

e só me escondo
por enquanto um pouco
sorrindo o minguar da Lua
que não sei não copiar

minhas verdades que
existem sem mim
principalmente

em

tanto querer por não saber
a respirar por quês


- ULTREIA, ULTREIA, peregrino
quero sim, quero sim viver,

viver, quero sim viver.


PH Medrado C da Paz





Bailado


danço o encanto
busco brilhar
no alto com amor
sou parte com tudo
vibrando meu suor
na viagem do mundo
eu tenho pra dizer
porque posso sentir
está esbanjando
dentrinho de mim
firmando e afirmando
por onde devo seguir
a estrada é incerta
mas dá no mesmo fim
a beleza da força
é o que há de melhor
dá o que é preciso
sem cobrar do que doa
tem a cura da dor
tem o que eu necessito
vou alegre a limpar
o que posso ser bom
encontrar a doçura
com o toque maior
com que possa voar
e me encontrar
pra cumprir minha missão
a todos ajudar
com o meu complemento
é o que tenho a fazer
a cada passo profundo
até o centro de tudo
também no meu coração
a fonte de luz para seguir

pelo Caminho Supremo

o Absoluto.

Pedro Henrique Medrado C da Paz

Processo Criativo


uma flor frágil
é própria poesia
poeta caule
ao néctar da terra cria.


PH MC DA PAZ