Universo Florido


Flores desabrocham
vaidosamente puras
para que as portem
em expansão...

com beijos de amores,
no carinho natural
que alimenta o espírito
nos perfumes coloridos
da reprodução...

assim que brilham,
pela terra e pelo céu,
passeando no espaço,
em busca do perfeito
receptáculo
que possibilite o fruto...

no suavissímo fluxo
da entrega, cuja liberdade,
ascende no pulsar
de nosso próprio centro,
pelo trilhar da criatividade
que nos comparte...

do fogo primeiro
da água no berço
da terra que vinga
do ar ins pirado
da luz que irradia

a Verdade em uníssono,
o encaixe das partes
permeando o infinito,
consciente, em altas
dimensões...

desde o princípio,
afirmando no meio
que conduza contínuo,
baixando e subindo
sem receio...

com sim e não
e sem e com,
coisas e coisas
que não importam
pois existem as brilhantes
que ofuscam olhos...

mas tornam claros
caminhos possíveis,
sagrados e alquímicos
para que a vida insista
e tudo propicie,
sem o exagero, que extingue...

neste jardim artista,

em que cada célula
sabe dos seus limites,
transponíveis, e está
integrada com seus tempos,
do que vem e vai passar
continuando sendo...


Pedro Henrique Medrado

Soninho

Fui ate o fim
do poço do mundo
o ponto mais obscuro
da noite de mim.

Esqueci a que vim
ou fazia no fundo,
meu próprio infortúnio
perdido em "devires".

Encontrei que sim
não sendo barulho,
um simples segundo

de uma luz feliz,
que fez do meu nariz
um pontinho seguro.

tocar

em ondas infinitas
em que estou percorrendo
junto a muitos universos,
desde molécula, antes, mudando
esferas, que tem lados
e momentos ad eterno.

estouro matéria e me coloco
carne para vibrar maravilhas,
com esta forma primitiva,
para explorar os sentimentos
de suas origens, aonde estou (?)

vivo pelas energias manifestas
da intuição que coruja quem sou.
ação desperta em visões presencia-
das. nos sentidos que atingem a
'profundidade que é profunda',
solitária e específica fase
intangível literalmente.

descrevo as curvas, nos passos
diários, de toda a existência
do mundo, no eterno segundo;
fujo e bato de frente com o
seguinte inevitável: não há
improbabilidade.

de certo, a matemática
torna o errado parte
primordial ao aceitar
o mistério que não há
que compreender sem contemplar.

quando mergulho para
o movimento conjunto,
ao meu encontro( na
ordem do ser), posso deixar
de tentar, para conseguir.

nesta reunião perene, o
agora, aqui que todos fazem,

Sóis, Luas e Estrelas.

Pedro Henrique Medrado - Agora

Contínuo


Estou num momento
de viver
mais que escrever.

Mas como tudo nesta
vida, é mutável,
sujeito a predicados
variáveis, com direito
a reticências...

(ciclos, fases, viagens)

a melhor poesia, que é
a vivida nunca estará
concluida...

nem tudo que em tantos
dias foi criado
(que ainda acontecem)
inclusive o não nomeado,
(nem tudo é do verbo)
pode ser reinventado...

O intervalo que é parte
e preenche o círculo,
os espaços vazios
em torno de núcleos
que proliferam...

Artes lindas
que não permitem
comentários...
não necessita inchaço
basta ser vida,
logo, poesia.

Pedro Paz

ONI


Reencontros são plenos de amor.
Se expressa um carinhoso abraço
com o olhar sorrindo desde o coração,
cruza-se o corpo todo entre os braços.
Então novamente mais um lar,
o voltar é viajar... de casa para casa.
Nos conhecemos por tantos lugares
onde temos corações que batem por nós
mesmo ausentes. Pelas viagens, ao ir e vir.

A cada reencontro um novo encontro,
novos velhos lugares e não-lugares
a serem expressados que como se estivéssemos
juntos também os experimentamos pessoalmente.
Nos damos conta que sempre estivemos presentes...
Juntos em sentimentos, pensamentos, movimentos,
havia corações por nós vivendo.
Tudo está sempre encaixado e conectado
não sendo as distâncias físicas as que separam.

Sim,
Não existe onde não podemos juntos estar...
Estamos juntos em qualquer lugar!


- Pedro Henrique Medrado,

poema antigo, agora, em casa.