Metafísica do Som
Envelope para entregar
o que está além...
ainda sendo necessário
ser em matéria para levar,
as ondas sobrepostas,
impalpáveis e eficazes...
a chave para atravessar
a fechadura que impede
passar da porta e sair da mesa...
para o metafísico contato
imediato com as sensações
coloridas invisíveis
que ligam lá e cá,
o que não concebo
mas posso intuir...
algo que vibra desde o mais
dentro de si possível
até tornar-se a combinação
que sou capaz de tangir,
recheada de metonímias subliminares,
me afeta com o ínfimo todo
que não atinjo conscientemente
com os limites freqüências deste corpo,
e que faz transcender.
PHMEDRADO
Troveja, Troveja
Troveja conforme quiser,
o céu, caindo na farra,
extravaza maluco,
batendo pé no chão
de birra com a terra
Seu choro jorra um manto,
cativante e puro,
em sons manhosos
que estendem o véu turvo
escondendo o anil.
A maré gargalha
no fluxo de limpeza
ressacada pela cura
de evoluir e chegar
a fartura e abundância.
Um bom fim de
descer e valorizar
a abertura rotineira
esclarecendo o
renovar de dentro.
A vida atendida
nas expectativas
de seus capricho
passa e volta do colorido,
sábio, que quer vingar.
phdapaz - Oruro, Bolívia
O Tao da Poesia
Qual é
dessa tal de poesia?
A quem serve afinal
a refugiar tanta agonia?
Fala de tanto de tanta coisa
e das mesmas não se cansa.
Onde está tua intenção, poesia?
És por indefinição:
um mero deslumbre
daquilo que insistes em apurar...
ou
nem fazes por tentar apurar
só sendo por ser
qualquer manifestação que
sem diferir qualidade e quantidade
só quer ser poesia...
com ou sem métrica
com ou sem rima
Quem poeta te faz?
ou...
Quem poeta, tu faz?
Tu, poesia, onde te encaixas?
Tu és causa ou consequência do poeta?
Qual verdade é tua farsa?
Volúvel essência, que vai...
Mas indo, qual o teu fim?
Água que sai do meu ego
mas é o falso de mim.
Enquanto esfinges
possíveis especulações,
interpretações ocas,
subjetividade enigmática,
crítica datilomântica e sem cabimento,
vontade usurpadora que
limita o que não tem palavras,
fingindo-as ser o que não são:
Narcisos em forma de versos alucinados
para quem carece a alucinação de ser auto-realizado.
Tal seja, poesia,
que possa ajudar alguém pelo Caminho
que não escuta, senão capta
nem palavras, nem imagens
tampouco som...
Que ao sair, poesia,
lembre-se
e manifeste Deus...
Pois a possibilidade de criar
é antes Dele
e se tens capacidade (merecida)
Ele é quem deu.
Premandanda Das - Pedro Henrique da Paz
Na Cachoeira de Mamãe
Eu de mãos dadas com a cachoeira
Despido sendo parte da natureza
Minha mãe que me põe no colo
E me bota pra acordar do sono
Acariciando que até dói
Limpando me recompõe
Véu líquido esculpindo
Com amor que escorre cristalino
E abraça até minha alma
Carente dessa energia sagrada
Que me encosto sendo filho
Pedindo benção e carinho
Me dá licença para entrar em seu ventre
Me carrega consigo por seu leito perene
E da tudo que é de si como alimento
Mais uma vez a mim concebendo.
Pedro Henrique da Paz
*recebido na grutinha do horto em 4 de 2008
Pedra até que Pedro
Pedra até que Pedro
Cada gota que me toca
não dissolve o que sou
mas desentope daquilo impuro
que a ser estou...
Penetra até meu coração
por minhas cavidades e entranhas
transformando tudo em algo
mais próximo daquilo que ela é...
Subtraindo-me
Soma ao que sou
Eu, diamante sujo, bruto.
Ela, diamante puro, raro.
Nos tocamos...
ela a mim e eu a ela
trocamos lapidações
nos lapidamos
ficamos lapidados...
É água mole em pedra
mais mole ainda...
Tomando forma...
até que Pedro
nada perdendo
o coração preenchido
que alimentando a si primeiro
tem a oferecer.
Pedro Henrique Medrado
Cada gota que me toca
não dissolve o que sou
mas desentope daquilo impuro
que a ser estou...
Penetra até meu coração
por minhas cavidades e entranhas
transformando tudo em algo
mais próximo daquilo que ela é...
Subtraindo-me
Soma ao que sou
Eu, diamante sujo, bruto.
Ela, diamante puro, raro.
Nos tocamos...
ela a mim e eu a ela
trocamos lapidações
nos lapidamos
ficamos lapidados...
É água mole em pedra
mais mole ainda...
Tomando forma...
até que Pedro
nada perdendo
o coração preenchido
que alimentando a si primeiro
tem a oferecer.
Pedro Henrique Medrado
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