CAL

Perdido um saco de poesia

O QUE PERCO?
DERRETEM MEUS DEDOS
e endurecem nestas palavras tristes
de poeta mutilado
sem ter mais o que escrevi
GRANDE COISA DE MIM
nem tanto
vaga lembrança
DE VERSOS / E IDÉIAS / E BURACOS
FALTA NA MEMÓRIA, de onde nasce?
VIVO pela frente, AQUI ressurge
a história que só eu SEI
COMO SOU FICO FAÇO SUJO GRITO VOU VÔO
fora da mente que CARREGO ESQUEÇO
MINTO MATO MORRO MEDO
COISAS que `eu não sei não´
e no papel que se foi e levou
para AGORAOUTROPOSSÍVEL, nenhum (MUDA)
SEM NEM ADEUS, passa rápido
incompleto > >FECHADO ABERTO VENDIDO>>
de não saber ao certo o que perdi
QUE TÁ EM MIM E QUER SAIR
livre da arbitrariedade do tempo
lamento esquecido
GLÓRIAS VARRIDAS POR NOVAS
NADA TÃO IMPORTANTE
há propósitos há destinos há ciclos
HÁ QUE HÁ
EM tortos ... passos
espera, reconhecer, eu mesmo
PARTE TUDO
RIO QUE É MAR
FOGO QUE É AR
TERRA QUE É ÁGUA
malha de vida, DÊ VIDA, viva
VIVA, VIVA! incessante contínua transformadora
perfeição em si exemplar impecável
LOUCA - PASSAGEM -- mutável

DENSO NADA compacto instante
sobre passos despertos
sob passos apegados, chão TETO
TEM PRA DESCER PORQUE TEM PRA SUBIR
TEM PRA SER PORQUE TEM PRA SAIR
E ENTRAR e muito mais, sei LÁ, AQUI
também em mim, além ou não
PALAVRAS QUE SÓ SE PODE SENTIR.

PHMEDRADO CPAZ

21.10.2008
enlaçador de mundos cristal branco

Desdém

hoje é a melhor prova de amor
o sol nasceu selando pra mais claro ser
esta parte da eternidade fazer por onde existir
porque nela tudo que vem passa com a marca que deixa
agora tudo segue maneiro com tantas ondas ressoando
a terra marca o andamento sobre si tinindo
as frases vão se soltando com o sentido que for
não importa muito nada é liberdade que está em mim
tem muita gente desentendida que só faz é passear
tanto potencial que tem pra dá mas tá tentado
o medo consome o progresso de todos que evoluir vieram
as máquinas estão funcionando e nós enferrujados
o planeta está obeso e inchado fora do padrão de beleza

a riqueza está camuflada com vergonha de seu tamanho
o espaço sideral já tá pensando em cobrar sua dívida
girando a tanta mesquinharia de um povo mal agradecido
um ponto lá em cima disse que já sabia meu nome
minhas fezes não saem como eu quero sendo eu que como
havia uma porta trancada sem saber o que estava evitando
uma coruja cansou da companhia noturna dos parasitas
há um porque há de se pensar que há de ser bonitinho
mas o que é que é que a memória deixou ficar intacto
a boa é quebrar para ver novas formas que tem um inteiro
a unidade são várias limitadas a um referencial obvio
a loucura é uma palavra com a cura dentro dela e mais
existe tanta coisa que sou fora das regras gramaticáis
e olha um significado embaixo do seu nariz indo pra casa
guardo a chuva no bolso da minha roupa de vento avoado
teclei na carne e no osso mas preferi a cor do vegetal
limpo o nosso jardim mostrando o que nele há de valor
acabo por aqui acabando e partindo por aqui parto.

Pedro Henrique Medrado
25.09.2008

A Eira da Lucidez

A EIRA DA
LUCIDEZ

Cor de belas coisas quaisqueres...
Como descritas no dia que virou noite e virou dia seguinte
e ainda hoje...
E um só som compunha tudo, saindo de onde entrava a criatividade
para a criação...
Não começou lugar nem hora marcada, está onipresentemente certo
no limiar do infinito que abre espaço para o contrário que já vinha vindo...
Ali, o aqui não manifestado, agora, igual a outro como este...
De tantas fagulhas iluminadas por seu próprio foco luminoso,
é o que é multiplicado ao ser dividido, que já existiu sem ser
mas tornando a ser o que já existia em si que não se conhecia...
Parte participante ao que... ao que quiserem. Reticências...
As coisas se levam para jardins férteis e vazios.
Jardins férteis e vazios... que sem grades são ainda temidos
porque não se vê o quanto há intrínseco em seu silêncio vivo...
Sementes de sonhos lúcidos jorradas pelo tempo que muda e que não muda...
Na lembrança do que não estava e sente saudade
que conhece ser ausente do que não é o presente
e mesmo assim
compartilha em si a experiência de estar ali, sem ter estado
ou tendo de outra forma, pleno mesmo estando fora...
Qual agora estiver na vez...
em presentes variados para presentes variados...
E este manhoso insaciável que em tudo se encontra
e tudo perde na cômoda imagem que o reflete...
Não chegou, finalmente! E eu na mão, matando a sede
da seca fumaça que já não mais surpreende... ah... tão próximo prazer
infestado por vontade estou a praticar, querendo mais, não dando conta
e sem cansar... essa eterna novidade de amar
Essa loucura divina que encaixa transcendendo a fantasia
plenitude a uma vírgula... sublime ação que abre brechas à manifestação
ao entregar-se ao que vale a pena, na dança que passa pela dor
e o poeta que com inquietude há inspiração... como quem já sabe não haver certo
pois cresce com vitalidade que a hora é esta em qualquer estação...
Medo de ir fundo, medo de altura, cair é fácil, erguer-se, não?
A intimidade é uma benção com um alto preço...
Queira me querer também
Goste me gostar também
Vamos criar juntos que nossas artes se combinam
sou o seu amante e também seu amigo
amoremos nos intervalos em cada um contidos, os inexplorados
e expansíveis à ordem do infinito
surpreendentemente louco, e não ligo
livre, solto, seguro, eu mesmo, na tua, feliz, como nunca
que sempre quis.... a cura: Você em mim.




Pedro Henrique da Paz

28.08.2008
30.08.2008